Tomo a liberdade de reproduzir um trechinho do texto na íntegra, pra saberem do que estou falando: "(...)ela tem notado mudanças no comportamento dos alunos ao longo dos anos (trabalha com crianças há décadas), e diz nunca teve uma turma tão barulhenta, teimosa e sem limites como agora. Crianças cheias de vontades, acostumadas a ter tudo e que não aceitam ter seus desejos frustrados. Crianças que gritam, batem, ignoram os chamados dos adultos. Essa queixa, segundo ela, tem sido muito comum entre todos que trabalham com educação. Ela tem a impressão que os pais perderam a mão e não sabem mais como educar os filhos."
Esse é um aspecto que lá em casa sempre nos preocupou bastante, com relação à educação da nossa pequena. Qdo engravidamos, já nos propusemos a educar com amor e limite. Dar tudo de mão beijada, nem pensar. Fazer todas as vontades, nem pensar. Tivemos muitos exemplos perto de nós de pessoas que se tornaram crianças problemáticas e adultos perdidos pela falta de limites por parte dos pais.
Estamos vivendo uma época em que dar amor aos filhos virou sinônimo de realizar todas as suas vontades. Primeiro porque, convenhamos, a curto prazo é muito mais fácil satisfazer uma vontade do que dizer não. Dizer não dá trabalho, tem que explicar porquê, tem que enfrentar acessos de birra, e ainda engolir uma carinha triste e cheia de lágrimas no final. Segundo porque carregamos esse conceito totalmente equivocado de que pra sermos amados e aceitos pelos nossos filhos, precisamos agrada-los em todas as situações, somente ve-los sorrindo e satisfeitos o tempo todo. Terceiro porque carregamos uma culpa do tamanho do mundo por não estarmos em casa com eles na maior parte do dia (então, ao chegar em casa, precisamos dar a eles tudo o que querem e pedem, e jamais faze-los chorar).
Tá. Eu confesso que é realmente bem difícil e trabalhoso colocar limite. Quando chego em casa, depois de 10hs longe, tudo o que eu quero é curtir a minha filha com tranquilidade, ve-la sorrindo e feliz. Ninguém gosta de ver seu pequeno tristonho e chorando. Ninguém gosta de enfrentar um ataque de birra depois de passar 9hs aguentando o "ataque de birra" dos clientes, chefes e afins, mais 1h de trânsito caótico. Mas nessas horas eu respiro fundo e me lembro de qual é nosso propósito maior: educar com amor. E educar com amor é ensinar aos nossos filhos que o mundo não vai atende-los 100% das vezes e na hora que eles esperam. Educar com amor é ensinar que o mundo é muito mais NÃO do que SIM, infelizmente. Educar com amor é ensinar que o próximo também tem suas vontades e necessidades e precisa ser igualmente respeitado. É ensinar que ele pode querer muito uma coisa e ficar muito triste por não consegui-la, mas não pode fazer valer sua vontade sempre, às custas de consequências indesejáveis para o outro ou para si mesmo. Educar com amor é ensinar respeito ao próximo, e respeito a si mesmo. Educar com amor é mostrar aos nossos filhos que nos importamos tanto com eles a ponto de preferimos ve-los chorando do que com um braço quebrado por subir em cima da mesa da sala e cair. Isso é se importar.
Não acho que a criança pequena teste o limite dos pais. Penso que a criança pequena está a todo tempo testando seus PRÓPRIOS limites, e cabe a nós mostrarmos a elas até onde é seguro ir, até onde é possível e até onde é desejável, naquele momento e naquela circunstância. Isso serve pra tudo.
Num próximo post vou falar um pouquinho de algumas táticas que temos usado em casa para diminuir as crises de birra da nossa pequena tiraninha (que sim, começaram beeeemmm antes dos dois anos por aqui... me dá até medo de imaginar que vai piorar! rs).
E você? O que pensa sobre limites?
*Imagem: http://www.nakelelugar.com/2010/12/12/aprenda-a-lhe-dar-com-as-birras-de-seus-filhos/
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